quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Fundadora do grupo Mabruk! oferece oficina sobre danças árabes

No dia 30 deste mês, a fundadora do grupo “Mabruk! Companhia de Danças Folclóricas Árabes”, Márcia Dib, fará oficina gratuita sobre danças étnicas árabes para crianças e adultos. A aula pretende apresentar para pais e filhos a cultura árabe e os benefícios das danças para as crianças.

Segundo Márcia Dib, a ideia do projeto “é mostrar para as famílias como as danças étnicas podem estimular, nas crianças, a criatividade, a coordenação motora, a sensibilidade auditiva, além de proporcionar o contato com a diversidade de sons e gestos”.

Apesar de descendente de sírios, Márcia Dib - diferentemente das crianças que desde cedo, graças ao seu curso, podem tomar contato com essa cultura - só foi conhecê-la na juventude. “Minha família, que saiu da Síria por causa das dificuldades financeiras que passava por não ser mulçumana e pertencer a uma minoria, no Brasil, não manteve as tradições do país do oriente. Abriu mão das danças, da música e da língua. No entanto, aos vinte anos, por puro interesse em conhecer a cultura dos meus ancestrais, comecei a estudá-la. Nessa fase, cheguei até a me converter à igreja ortodoxa”, explica.

Como a curiosidade era grande, Marcia fez questão de visitar a Síria e até estagiou em grupos de danças no país oriental. Mas, como não queria se afastar do Brasil, decidiu retornar. Foi justamente nesse período que fez seu mestrado, intitulado: “A diversidade cultural da Síria através da música e da dança”, na Universidade de São Paulo (USP).

Hoje, além de mestre em Cultura Árabe, ela continua seu trabalho no grupo Mabruk! e é professora de danças árabes no Esporte Clube Sírio, onde desenvolve diversos trabalhos para todas as idades.

Venha participar!!!

A Su Salud – dança, saúde e movimento
Dia:
30/10, sábado, às 15h

End.: Alameda Jaú, 404 – Jardim Paulista
Mais informações: 2373-7300

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

O ritmo e melodia da cultura árabe

Instrumento melódico "oud"
A tradição árabe é pouco conhecida no Brasil. Os exemplos que chegam ao País, provenientes da mídia internacional, são, na maior parte das vezes, inseridos em um bojo carregado de superficialidade e preconceito. A música não fica de fora.
 
Nas apresentações do grupo Mabruk!, entretanto, é possível ver um recorte da cultura árabe em um contexto amplo. A dança preenche o visual, ao passo que a música inebria a audição do espectador.

Instrumentos de percussão derbak, mazhar e raq
Oud, buzuk, mazhar, kanun, raq e derbak são nomes desconhecidos da população. Estes instrumentos fazem parte de canções árabes que, assim como a brasileira, é rica em percussões e diversa em sua concepção.

A pesquisadora de cultura árabe e coreógrafa do grupo Mabruk!, Márcia Dib, afirma que a grande diferença entre os instrumentos melódicos árabes e os ocidentais está na forma como se estruturam as músicas. “Enquanto um piano já tem as notas definidas, os instrumentos que utilizamos são temperados, ou seja, há diversas intermediações entre uma nota e outra. Para conseguir alcançá-las, o músico deve escorregar o dedo por entre as casas. Tal processo assemelha-se bastante ao utilizado pelos indianos.” O caso citado por Márcia, portanto, é o das cítaras, na Índia.

Kanun e suas diversas cordas
Os instrumentos melódicos são divididos em duas famílias: sahb e naqr. Enquanto em sahb os instrumentos têm um som contínuo, que pode ser puxado ou esticado – como a nay (flauta) e o violino –, em naqr, o som é dedilhado ou martelado – a exemplo do oud (alaúde) e kanun.

Buzuk
Nas canções onde há a predominância do canto e da palavra, há três categorias em que elas podem ser encaixadas: o virtuosismo, no qual há frases longas e floreios sofisticados; improviso, no qual há uma sintonia entre cantor, instrumentista e ambiente, o chamado tarab (êxtase); e os cantos utilizados em diversas situações do cotidiano.



Assista a um vídeo com mais exemplos de instrumentos árabes: 

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Danças folclóricas árabes transformam cotidiano em arte

Toda manifestação artística, seja através de músicas, quadros ou livros, reflete a cultura, os costumes e o cotidiano da sociedade da qual o autor pertence. Com as danças folclóricas árabes não poderia ser diferente.

Além de expor a cultura de diversos países árabes, como Iraque, Irã e Marrocos, elas refletem o cotidiano de grupos sociais. “A característica principal das danças folclóricas árabes é que os passos surgem do dia a dia e de ciclos naturais, como da colheita, da semeadura, das lutas e do moinho. As pessoas transformam gestos do cotidiano em arte”, conta Márcia Dib, mestre em cultura árabe e fundadora do grupo “Mabruk! Companhia de Danças Folclóricas Árabes", diz. 

Apresentação Mabruk!
 Márcia explica ainda que em lugares em que se utilizam mais cavalos, por exemplo, a postura na hora da dança é ereta e com passos marcados. A intenção, contudo, é retratar a posição de montaria no animal. 

Há quatro regiões típicas dos países árabes que servem de inspiração na hora da dança: a praia, a cidade, o campo e o deserto. Neste último, por exemplo, por apresentar característica climática quente, as danças são elaboradas de forma mais leve e com movimentos de braços. Já no campo, em que predomina o clima frio, há danças mais agitadas, com o intuito de “esquentar” e “espantar” as temperaturas baixas.
 
Deserto - Arábia Saudita
 “Cada região tem seu povo e seu tipo de dança, mas essas demarcações são imaginárias.
As fronteiras são permeáveis, pois os árabes viajam muito para essas quatro regiões, principalmente por causa do comércio. Dessa forma, a rota da comercialização se transforma em cultura. As pessoas e danças acabam se interagindo, se interdependendo”, completa Márcia.

Créditos Fotos 1 e 3: google imagens
Foto 2: http://marciadib.blogspot.com/